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22 de abr de 2013

ALÉM DAS FRONTEIRAS

A escrita oriental atravessou continentes e conquistou diferentes povos do mundo. O que não é de se admirar. Afinal, mais do que uma forma de comunicação, a caligrafia japonesa é uma verdadeira expressão artística!
Linhas horizontais, verticais e diagonais cruzam-se, formando desenhos que, à primeira vista, parecem indecifráveis. Compreender e memorizar o que significa cada Kanji, como são chamados os ideogramas japoneses, não é uma tarefa fácil, principalmente para os ocidentais, mas também não é algo impossível. Originários da China, os kanjis foram introduzidos no Japão por volta do ano 200 d.C. Monges budistas chegaram ao país, portando escrituras registradas com a caligrafia chinesa, a qual foi adaptada às necessidades de comunição dos japoneses que desenvolveram leituras próprias.
Os kanjis são a base e a forma de escrita mais complexa da lingua japonesa. Trata-se de uma representação gráfica de idéias. Isso quer dizer que cada pensamento de um indivíduo japonês pode se expresso por meio de um unico kanji. Dessa forma, não é de se admirar o número de kanjis existentes no idioma: um dicionário popular no Japão apresenta mais de 10 mil ideogramas. No entanto, na prática nem metade desses caracteres são utilizados pelos orientais no dia-a-dia e muitos deles são encontrados apenas em documentações antigas.
Por outro lado, um único ideograma pode representar várias idéias. O kanji, por exemplo, possui quatro significados: vida, nascimento, vigor e pureza. Além disso, pode ser lido de maneiras diferentes: sei, shô, nama, ki, entre outros. Já o kanji significa ouro, dinheiro , metal e, quando colocado sobre o "dia da semana", forma a palavra sexta-feira ou dia de Vênus. Por meio da comunicação de kanjis, é possível ainda expressar outras idéias. Aos escrever o nome de uma pessoa, por exemplo, unem-se diferentes kanjis que, separados, têm significados próprios.
Contudo, apesar da versatilidade, os caracteres chineses não foram suficientes para garantir uma comunicação perfeita entre os japoneses. Assim, a partir dos ideogramas, foram criadas outras duas formas de escrita: o katakana e o hiragana. O primeiro é usado para escrever palavras estrangeiras, nomes de plantas, animais, além de onomatopéias. Já o segundo, tem apenas função fonética, ou seja, é utilizado para ligar os caracteres, dando fluência vocal, em casos em que os kanjis sozinhos não bastam para grafar corretamente uma palavra ou sua variável.
No "Grande Dicionário Chinês", publicado em 1990, constam 56 mil ideogramas. No entanto, para um indivíduo japonês ler um jornal diário, ele deve saber apenas dois mil kanjis.
O alfabeto hiragana inclui 46 caracteres que, sozinhos, não possuem significado próprio. O hiragana representa um som e é usado no lugar de letras que não podem ser identificadas por meio dos kanjis.
"Kata" significa pedaço, fragmento ou o que não é completo. "Kana" quer dizer letras provisórias ou transitórias. O alfabeto katakana é usado para escrever palavras estrangeiras e documentos oficiais.

Arte Milenar
Fude, sumi, suzuri e washi; os materiais essenciais para a prática do Shodô.
Mais do que uma forma de comunicação, a escrita oriental é uma manifestação artística. Há mais de 1.500 anos, o Shodô, a arte da caligrafia japonesa, constitui o universo nipônico. A fragmentação da palavra permite uma melhor compreensão dessa expressão cultural: "sho" significa caligrafia, escrita, enquanto "do" quer dizer caminho. Para os praticantes do Shodô, grafar os kanjis é mais do que compor meras palavras , é um exercício de meditação, em que o artista busca transmitir seus sentimentos e impressões.
O Shodô pede muita concentração. O manuseio do pincel exige habilidade, uma vez que as pinceladas devem ser únicas e precisas, sempre de baixo para cima e da esquerda para a direita. Uma vez realizado o traço, não é permitido fazer qualquer tipo de correção, mesmo que fiquem falhas de tinta no papel. No Shodô, o artista nunca deve se prender às regras de ortografia, pelo contrário, deve deixar a criatividade e a imaginação lhe guiar, a fim de desenvolver um estilo próprio.
Para a prática do Shodô existem materiais específicos. O fude, pincel japonês cujas cerdas são feitas de pêlos de animais, é umedecido em um tipo de tinta especial. Para compor essa tinta, é necessário friccionar o sumi, material sólido à base de carvão, contra o suzuri, recipiente retangular e preto, na presença de água. Com pincel e tinta à mão, a arte vai ganhando forma no washi, papel produzido com fibra de bambu, palha de arroz ou bagaço de bananeira.

(Ideogramas na Decoração ano 1 nº 1 / Ed. On Line / Fonte Revista Made In Japan nº 56 - maio/2002)

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