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19 de out. de 2011

ENTRE O CÉU E A TERRA.

Na visão fengshuísta, os trigramas são essenciais para interpretar as relações entre o homem e a natureza ou melhor: entre o homem, o céu e a terra.
Entender um pouco mais essa importância significa perceber que a compreensão dessas referências vai muito além da mera pesquisa. É necessário bastante estudo para compreender o simbolismo dos trigramas. "Eles podem ser vistos como uma ponte que liga o conhecimento e a sabedoria dos antigos mestres da humanidade ao nosso coração tão perturbado pelas emoções aflitivas, que causam tantos danos à nossa saúde física, mental e espiritual". 
Os oito trigramas são a base do I Ching. Nestas referências, a linha de cima representa o céu, a do meio, o homem, e a de baixo, a terra. Isso significa que o nosso caminho é justamente o do equilíbrio diante do "abraço" do céu e da terra. Conheça o significado de cada um:

CHIEN: o céu, o pai, a força da criação.
KUN: a terra, a mãe, o acolhimento.
CHEN: o trovão, o início, a impulsão.
SUN: o vento, a suavidade.
KAN: a água, a maleabilidade, a adequação.
LI: o fogo, o sol, a clareza, o crescimento.
KEN: a montanha, a solidez.
TUI: o lago, a alegria, a fertilidade.

(texto Anuário de Feng-Shui ano I nº I - feng-shui Marcos Budette

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16 de out. de 2011

UMA ORIGEM, MUITAS VERTENTES.


São quase 6 mil anos de história, alimentados por muitos livros e pelo próprio povo oriental. Depois de tanto tempo, é óbvio que os preceitos foram alterados, ou, melhor dizendo, adaptados às novas realidades, sobretudo o que envolve o Ocidente. No lado de cá do Atlântico, a visão fengshuísta segue a proposta original, mas sem negar as diferenças culturais e geográficas. Os reis-xamãs, que governavam as tribos chinesas há milênios, talvez não imaginassem quão longe seus conceitos chegariam. Eles são apontados pelas primeiras impressões do Feng-Shui e se revezaram nas descobertas e na concepção da arte de harmonização. Dentro dessa linhagem, o líder Yü é tido como um dos mais importantes. Um certo dia, enquanto acompanhava o nivelamento das águas que ameaçavam destruir as aldeias, Yü notou uma tartaruga saindo dos rios. O desenho no casco do animal, semelhante a um octógono, foi posteriormente chamado de Lo-Shu, e era o protótipo do atual ba-guá. Foi por volta desse período que os sábios escreveram o Livro das Mutações, mais conhecido como I Ching. Na verdade, trata-se de um oráculo sagrado, que adota símbolos das relações existentes entre o céu, o homem e a terra, buscando entender o ser humano e sua relação com o mundo exterior. O I Ching, é representado por oito trigramas associados às forças atuantes da natureza cíclica do universo para combinar o ba-guá do Lo-shu com os trigramas. Quando associados, esses oito arquétipos geram 64 hexagramas, que são interpretados para a obtenção de respostas a sentenças adivinhatórias, filosóficas, ética e morais. De lá pra cá, muito aconteceu, e vários "braços" do Feng-Shui cresceram mundo afora. Essas extensões podem ser entendidas como as várias escolas que surgiram, sempre respeitando a origem teórica, com diferenças aqui e ali. No Brasil, a técnica de harmonização registrou um crescimento acentuado há menos de dez anos e, de lá para cá, vem conquistando cada vez mais simpatizantes. Por aqui, as escolas mais comuns e exploradas são a do Chapéu Negro, a da Forma e a da Bússola. A primeira delas é, sem dúvida, a mais conhecida. A Escola do Chapéu Negro reúne ensinamentos budistas e taoístas, além de englobar preceitos tântricos indianos e das escolas chinesas, e conceitos de magia natural. Sem principal símbolo é o ba-guá, o instrumento de orientação capaz de auxiliar na realização de curas, geralmente aplicado sobre a planta baixa de uma construção. É através dele que entendemos a associação dos oito guás aos trigramas. Os guás são definidos como as áreas importantes da vida humana: Trabalho, Espiritualidade, Família, Prosperidade, Sucesso, Relacionamentos, Criatividade e Filhos, Amigos e Viagens e, ao centro, como resultado do equilíbrio entre todas, a Saúde. No arquétipo, esses teores têm posicionamentos certos, que devem ser identificados dentro de uma casa como pontos que precisam explorar os elementos da natureza e as cores correspondentes a cada um deles. Outra escola com grande número de seguidores é a da Forma, cuja linha baseia-se na adaptação das construções às paisagens que a envolvem. Vista como uma das mais fiéis às origens fengshuístas, essa vertente leva em consideração o entorno, a direção dos ventos e a presença dos cinco elementos sagrados. Pela Escola da Forma, se o lugar da construção é adequado, basta aplicar seus conceitos, compondo espaços que considerem a presença das formas e da representação dos cinco animais sagrados: Tigre, Serpente, Dragão, Fênix e Tartaruga. Já a da Bússola é a mais complexa. Fundamentada no I Ching, é a principal prática na China. Esta vertente usa nas correções a teoria dos cinco elementos. Mas não é só. Também dá importância ao local onde o imóvel está inserido - por isso a impossibilidade de fazer um estudo apenas a partir da planta baixa. É preciso avaliar o local e fazer medições com uma bússola.
(texto Anuário de Feng-Shui ano I nº I - Feng-Shui Marcos Budette - Adriana Scartaris e Maria Lucia Desio Belloli)


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15 de out. de 2011

HARMONIA.

HARMONIA é uma palavra que aparenta ser tão simples, mas, no fundo, traz um significado muito forte. Em seu sentido mais amplo, pode ser entendida como a concordância entre tudo e todos. E, sendo assim, se todos concordam, não há por que discutir, e sem discussão, vive-se melhor. Para uns, harmonia é a casa sempre cheia de amigos e, por consequência, de alegria. Para outros, é uma deliciosa torta de morango dividida com alguém especial. Pode ser, ainda o contato com a natureza, de preferência embaixo de uma árvore frondosa, ou, simplesmente, o jantar com a família em plena segunda-feira. Eu, você, ele...Cada um tem sua definição para harmonia. E sejam quais forem os "sonhos de consumo", alcançá-los é uma realização pessoal que leva ao bem-estar.
A matemática é obvia. Mais que isso, é simples. O problema é que nem todo mundo consegue realizar seus projetos de vida. Muita gente sofre com as mais diferentes interferências, inclusive dentro da própria casa. O que era para ser um lar, acaba perdendo os benefícios das forças do universo (que deveriam agir por ali livremente), só porque vive em um espaço desestruturado. É claro que isso reflete diretamente no dia-a-dia de cada um. Sorte que existe o Feng-Shui, herança das antigas civilizações orientais e uma boa alternativa para reverter a situação.
Para entender mais a fundo o que estamos falando, melhor seria se pudéssemos voltar no tempo algo em torno de 6 mil anos. Como isso não é possível, é bom saber que, naquela época, os chineses tinham de se empenhar para se manter no campo - e tudo estava ligado aos ciclos da natureza. "Eles estavam sujeitos às variações climáticas, às enchentes, à falta de água e à necessidade de luz solar", explica o consultor de Feng-Shui Marcos Budette. No trabalho pela sobrevivência, começaram a observar o relevo. Acabaram constatando que uma habitação perto do centro de uma colina, tendo um riacho ao Norte e voltada para o Sul, receberia ótima influência do Sol.
Nessa disposição, ficaria protegida das fortes correntes de vento e das enchentes, e ainda teria água suficiente para que as plantações fossem cultivadas. "Em locais como estes, era muito mais fácil trabalhar com a agricultura. As plantações desenvolviam-se bem, além de as criações ficarem a salvo". Era claro que, se entendessem o ciclo da natureza, poderiam se beneficiar do meio ambiente, tendo grandes chances de atrair boa sorte e prosperidade. Mas nem sempre havia espaços que se encaixavam nessas condições, o que levou ao estudo do que hoje conhecemos como Feng-Shui. Na tradução literal, FENG significa VENTO, e SHUI, ÁGUA, duas importantes manifestações importantes do meio ambiente que são essenciais para a vida humana - o par pode ser interpretado como o "CAMINHO DOS VENTOS E DAS ÁGUAS".  Toda a teoria parte da análise das forças universais e busca o equilíbrio do homem com seus espaços, além da boa relação entre as energias emergentes e polares: o yin e o yang. A convivência plena e harmoniosa com a natureza é expressa no Feng-Shui através de sua base, centrada nos cinco elementos: a Madeira tem a energia geradora; o Metal representa a mutação; a Água flexível e penetrante; a Terra significa estabilidade; e o Fogo é a fonte produtora de calor e estímulo. Além desses elementos, é importante considerar a existência de uma força invisível, que é a fonte da vida. Estamos falando do C'hi, o ponto de partida existente no homem e no meio ambiente. Quando o C'hi flui em equilíbrio, as flores e as árvores crescem mais rapidamente, os animais desenvolvem-se saudáveis e o ar renova-se constantemente, enchendo a terra de saúde e abundância. O mesmo ocorre dentro de casa. Se a energia flui livremente entre os cômodos, a harmonia reina. "Certamente, os resultados positivos envolvem os moradores". Ao contrário do C'hi, que é a fonte geradora de energia, existe o S'ha, símbolo do fluxo energético inadequado, que pode ser traduzido como a energia que tende a estagnar e andar em linha reta. Como não circula, deve ser sempre corrigida para não causar bloqueios e dificuldades dentro dos ambientes. Da teoria à prática, o Feng-Shui vai estimular o fluxo do c'hi e bloquear a ocorrência do s'ha. O resultado é um ambiente agradável, aconchegante, convidativo, em que todos se sentem bem. Numa tradução literal: harmonia completa!
(texto-Anuário Feng-Shui ano I-nº I-Marcos Budette)

ENERGIAS POLARIZADAS.

Difícil imaginar alguém que jamais tenha ouvido falar de yin e yang, mesmo que não saiba o que esses termos significam. O conceito está presente em praticamente todos os setores da cultura chinesa, da medicina à religião, passando pela filosofia. É claro que essas forças polares também estão presentes no Feng-Shui. Yin e Yang são conceitos de forças emergentes, que simbolizam o caminho do céu e da terra. Mais que isso, são o príncipio fundamental de todas as coisas. "Podemos pensá-los como estado de dualidade, em que a interação das forças do Universo, com suas características yin (feminino, terra, noite, frio) e yang (masculino, céu, dia, calor), cria um estado de movimento e transformação", explica Marcos Budette. Como ele lembra, na visão chinesa, a origem do Universo se expressa através  de mutações dessas energias opostas e, ao mesmo tempo, complementares. Isso porque elas fluem em perfeito equilíbrio. E é a cumplicidade constante destas forças que determina a natureza e as nossas concepções do mundo.
(texto-Anuário Feng-Shui ano I-nº I-Marcos Budette)

O CAMINHO DO EQUILÍBRIO.

Há cerca de seis milênios, surgia entre os chineses a teoria de harmonização de ambientes, capaz de beneficiar a vida humana e levar as pessoas ao bem-estar. Vento e água são as significações máximas do Feng-Shui que pode ser aplicado em qualquer ambiente que abriga o homem, melhorando sua relação com o Universo.
(texto-Anuário de Feng-Shui-ano I-nºI-Marcos Budette).
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