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13 de jun de 2013

A BELEZA DA IMPERFEIÇÃO

Ladrilhos desgastados, cerâmicas com bordas carcomidas, livros amarelados, móveis envelhecidos. Defeitos? Não para os admiradores da estética japonesa wabi-sabi, para quem a verdadeira beleza é aquela que salta da imperfeição.
Cadeira Luís XV, moldura em prata velha francesa. cômoda Luís XV, perfumeiro, vaso rosa, porta-retratos, maleta em rattan e vaso Milk, na Christie Móveis.

Você já falhou ao tentar acumular as funções de profissional competente, mãe presente e a responsável por organizar o lar? Pois fique tranquila, a perfeição é platônica. Isso mesmo: só existe no mundo das ideias.
Aqui, sobre a fina crosta terrestre, equilibram-se vidas frágeis, efêmeras e, principalmente, únicas, com desejos e necessidades próprios. Seremos fracassados se vivermos feito marionetes, tentando corresponder às expectativas de um grupo ou sociedade, diz a psicóloga Sônia Guaraldo Miguel. Para ela, aceitar a realidade de que nada é perfeito e de que tudo é transitório é uma forma de enaltecer a vida humana e o que podemos ser. O conceito wabi-sabi defende justamente a singularidade do ser e a valorização de todas as etapas da vida, ressaltando tudo o que foi esculpido pela ação natural do tempo e, por isso mesmo, torna-se absoluto. Na decoração, não faltam exemplos que ilustram o termo, como aquela velha poltrona com o couro manchado pelo sol, as porcelanas riscadas da sua avó, ou então o espelho embolorado pelo vapor do banho. Convidamos você a abandonar o perfeccionismo estressante e permitir-se ao wabi-sabi, afinal, apreciar a imperfeição é uma arte.
Banheira estilo vitoriana Slipper, misturador de piso Ed Wardiau e ladrilho hidráulico, na Ibiza. Toalhas, na Casa Almeida. Vasos Efani e New York, na Futon & Home. Armário e vaso cerâmico, acervo da produção.

"O meio de ser harmonioso é ser incompleto. - Victor Hugo"

Aprenda a ponderar
"Apague a luz ao sair da sala, feche a torneira quando estiver se ensaboando. Seja quase invisível. Caminhe sem deixar traços, pegadas", aponta Monja Coen. Procure sempre o diálogo, crie a harmonia entre as pessoas, não deseje vitória nas discussões. Escute mais, fale menos. Relaxe! Recicle o lixo, seus pensamentos, seus hábitos.

 Poltrona Bergère inglesa em couro marrom, mesa em ferro ouro, abajur entalhado e patinado e banqueta redonda Faux Bamboo Ouro. Tudo no Depósito São Martinho.

"Wabi-sabi é perceber a beleza das coisas imperfeitas, modestas e simples. - Monja Coen".

Contemple o que é natural
Traga a natureza para dentro de casa. Alimente seus sentidos entrando em contato com as plantas, a água, o fogo e os aromas. Medite. Escute todos os sons. "Use e consuma o que for mais natural para o local em que estiver vivendo. Tenha simplicidade no vestir, no comer, no falar, no andar, no ser", pede Monja Coen.

Permita-se desfrutar
"Perceba a beleza da luz que entra pela janela, a delicadeza na folha nascendo na árvore, o som dos pássaros mesclado com o dos carros. Ouça mais, atreva-se mais, viva mais", aconselha Monja Coen. Simples e, justamente por isso, difícil de se obter. Comece apreciando o cheiro dos livros, dos materiais naturais e, com o tempo, assuma as marcas do tempo impressas nos móveis como parte da decoração e da sua história.

Definindo o indefinível
Não tente encontrar um significado hermético para o wabi-sabi. A estética, a expressão, o conceito, a filosofia, enfim, não cabem em rótulos. Costuma-se associar sua origem à cerimônia do chá japonesa e ao zen-budismo. "Nada é muito definível. É algo que deve ser percebido, sentido. É uma maneira de ver o mundo, de viver", compartilha Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen-Budista, criada em 2001, com sede na capital paulista. 

(Texto, Adriana Fricelli / Fotos, Mônica Antunes / Produção, Daniela chaves e Karen Montija / Guia de Feng Shui ano 1 nº 1).

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